O Bruno e eu.

Em primeiro lugar, e antes de qualquer coisa, sou Sportinguista, assim com S grande. Daqueles que não consegue passar sem ver os jogos de futebol do seu clube, e se não os puder ver por algum motivo, não consegue passar sem estar sempre a acompanhar o resultado através do telemóvel ou da Internet. Sou porque sim e isso basta-me, ou seja, não faço a mínima ideia porque escolhi ser do Sporting. Não o escolhi nem pela cor das camisolas nem por causa de qualquer jogador. Apenas me recordo que era do Sporting e era muita feliz.

Comecei a ser do Sporting quando o presidente era o João Rocha. Lembro-me pouco desses tempos, ou melhor, lembro-me dos jogos, dos sete ao Benfica, do sopapo do Bento ao Manuel Fernandes mas não me lembro do presidente. O mesmo com o Amado da Costa. Mas infelizmente lembro-me do Jorge Gonçalves e das suas famosas garras, da sua pinta de burlão e das suas trapaças. Depois chegou o Sousa Cintra, convicto sportinguista mas pobre intelectualmente, sem vontade própria e um fantoche nas mãos dos seus conselheiros sombra. Só assim se explica o despedimento de Robson, a contratação de Queirós, a venda de Figo e Balakov, o desmantelar de uma equipa de sonho. Lembro-me também do Santana Lopes e da sua busca pela notoriedade, da conversa do Canal Caveira e daquela atitude “o Sporting vai levar-me longe”. Foi o início de um ciclo triste para mim. Sei que fomos campeões com o Roquette mas aquilo doía. O homem só tinha olhos para o projecto e nem sabia quem eram os jogadores. Era o futebol empresa (falida) a dar os primeiros passos e o inicio da agonia do clube. A seguir vieram os amigos, o clube do croquete e da ostra, que piorava de presidente para presidente e terminou num incompetente chapado chamado Godinho Lopes.

Depois chegou o Bruno. Ar fresco certamente. Sangue na guelra como referência. Muita coisa boa mas muita coisa má. No entanto uniu o clube, recuperou-o financeiramente e construiu o pavilhão. E isso, queiram ou não queiram, é de valor. É mal educado, correcto; fala demais; fala; tem muito que aprender, tem. Mas ama o clube, ama; incomoda os adversários, incomoda; merece mais quatro anos, merece. Portanto, quem o odeia que engula o sapo pois daqui a quatro anos há mais eleições e o seu trabalho será avaliado novamente. Esperemos que tenha mais títulos, mais períodos de silêncio, menos bocas inúteis mas um facto é indesmentível: mesmo com todos os seus defeitos ( e são muitos) as suas qualidades tornam-no o melhor presidente desde 86. E o resto é conversa…